Avanço dos tratamentos tem permitido que pacientes recuperem qualidade de vida, controlem crises e retomem atividades que antes pareciam impossíveis.
O corpo costuma sussurrar antes de gritar. Com as doenças inflamatórias intestinais (DIIs), pode ser assim. A dor abdominal insistente, a diarreia frequente, o cansaço que parece não passar e até o medo de sair de casa, por não saber onde haverá um banheiro disponível, podem transformar a rotina em um campo minado silencioso. Ainda assim, milhares de brasileiros convivem anos com os sintomas antes de receber um diagnóstico correto.
Há dois diagnósticos mais comuns de DIIs; são eles: a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa, enfermidades crônicas que provocam inflamações no trato gastrointestinal. Embora não tenham cura definitiva, o avanço dos tratamentos tem permitido que pacientes recuperem a qualidade de vida, controlem crises e retomem atividades que antes pareciam impossíveis.
O alerta cresce junto com os números. Um levantamento da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP), com base em dados do SUS, revelou que as internações por doenças inflamatórias intestinais aumentaram 61% no Brasil até 2024. Foram mais de 170 mil hospitalizações no período. Fatores como alimentação ultraprocessada, estresse, predisposição genética, alterações da microbiota intestinal e hábitos de vida modernos estão entre os principais fatores por trás desse aumento.
“O intestino conversa diretamente com o restante do organismo. Quando há uma inflamação persistente, o impacto vai muito além da digestão. É importante estar atento aos sinais. Normalizar sintomas intestinais persistentes pode custar caro, porque, às vezes, aquilo que parece apenas um desconforto é o corpo tentando avisar que há uma batalha silenciosa acontecendo por dentro”, explica João Felipe Pereira Espíndola, médico gastroenterologista da Hapvida.
E os sinais realmente extrapolam o abdômen. Além de diarreia crônica, sangue nas fezes, dores intestinais e perda de peso, pacientes podem apresentar anemia, fadiga intensa, dores articulares, alterações na pele e até sintomas emocionais, como ansiedade e depressão. Em alguns casos, as crises são tão incapacitantes que afetam o trabalho, a vida social e a autoestima.
DIAGNÓSTICO E MUDANÇA NO PROGNÓSTICO: O médico João Felipe Espíndola enfatiza que o diagnóstico precoce muda completamente o prognóstico do paciente e, geralmente, envolve exames laboratoriais, colonoscopia, tomografia e ressonância magnética. “Quanto mais cedo a identificação acontece, maiores as chances de controlar a inflamação e evitar complicações graves, como obstruções intestinais e cirurgias”, destaca o profissional.
Apesar de ainda não existir prevenção definitiva para as DIIs, alguns hábitos ajudam a reduzir riscos e controlar crises, como uma alimentação equilibrada, a prática regular de atividade física, a redução do estresse e o acompanhamento médico contínuo. Evitar a automedicação também é essencial, já que anti-inflamatórios e alguns medicamentos podem agravar o quadro.
Nos últimos anos, o tratamento das DIIs avançou significativamente. Além dos medicamentos tradicionais, como corticoides e imunossupressores, terapias biológicas e drogas mais modernas vêm permitindo períodos prolongados de remissão. Segundo protocolos clínicos atualizados em 2025, essas terapias revolucionaram o controle da doença e possibilitaram melhora substancial da qualidade de vida dos pacientes.

0 Comentários